Lágrimas da Lua - soneto 1

Me pus a exercer o papel de entusiasta da poesia faz pouquíssimo tempo. Portanto, quando escrevi este primeiro soneto, acabei me permitindo erros liberdades em sua forma e esquema rimático. No entanto, o esqueleto está presente nele, sendo assim, considera-se um soneto "moderno", ou irregular, mais comum do que parece, com nomes importantes como Florbela Espanca e Vinicius de Moraes tendo feito uso desta forma de soneto.
 
Pessoalmente, este poema é muito importante para mim. Representa sentimentos muito íntimos, os quais não me sentiria à vontade para expressar de outra forma. Recomendo que leiam e releiam, caso o texto os agrade, ouvindo compositores como Claude Debussy em sua Claire de Lune, Ólafur Arnalds, ou qualquer composição de natureza mais introspectiva. Tente se transportar para o mundo que o texto pinta. Espero que gostem! 


Do solo estéril que se chama vida,

Sentido não colhi; cores não vi;

Vagueei por estrada mui comprida,

Devaneei; porém não esqueci.


Os sonhos esvaíram-se, partiram,

Tal qual lágrimas negam-me afeto,

Restando apenas um pesar discreto

Pelas chances que nunca existiram.


Em cada pulsação, um toar insípido

De um mantra gravítico que rasga,

Arrasta e  me comprime, de tão ríspido.


E eis que de uma solidão tão crua,

Numa noite tão fria quanto bela,

Me vi a colher as lágrimas da lua.











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