Egoísmo - soneto 3

Já dizia Nick Holmes:
         
           
           
           "Cold embrace
            Is the saviour in disguise
            Through old age
            Only danger never dies" - No Hope in Sight, Paradise Lost

       


Com o passar dos anos, aquilo que antes era uma mera rachadura na calçada, se tornou um abismo ostensivo que progressivamente se expandiu e se interpôs entre mim e uma parcela considerável das pessoas. Sei como a tônica desta declaração pesa, mas o fato é que o comportamento humano tem se tornado especialmente intolerável na última década. Por razões pessoais, e de saúde, percebo que as pessoas, o mundo nem tanto, são excepcionalmente hostis com aqueles que necessitam do mínimo de etiqueta, humanidade e respeito para poder seguir com suas vidas da forma "menos pior" possível. Correndo o risco de destruir a poesia e a magia do meu texto com esta introdução, declaro que isto foi o que norteou a composição deste soneto. Esperem que gostem, ou se identifiquem com a mensagem.




A boca repugnante e putrefata
Regurgita seu verme idiossincrático...                     
Vislumbrando, no ato, algo emblemático,
Banha-se no chorume da cascata.                           

Descontrolada em sua bendição,
Batiza os indivíduos loucamente,
Sem importar se são um povo descrente,
Tão desinteressado no sermão.

Com esta persistência virulenta,
Normatiza o mesquinho contrassenso,
E logo, de si mesma, se alimenta.

Imposto um estado tão indefenso,
Se revela uma via de tormenta...
O preço dum torpor longevo e denso.

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